A POLÍTICA MONETÁRIA COMO INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ECONOMIA



COLUNA SOBRE ECONOMIA - Adam Smith foi um importante filósofo e economista britânico que viveu no século XVIII, é conhecido como o pai da economia moderna e o mais importante defensor do liberalismo econômico, pois defendia que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção do governo, dessa forma, a livre competição entre fornecedores levaria a queda de preços, inovações tecnológicas, redução de custos de produção e aumento da competitividade.

De fato, seus ensinamentos são muito válidos até hoje, pois numa situação econômica ideal, a livre concorrência por si só acaba regulando o mercado através da lei da oferta e da procura.

No entanto, em situações de falhas desses mecanismos auto reguladores, conhecidos como “falhas de mercado”, caracterizados por crises macroeconômicas, desiquilíbrio em alguns setores, aumento da inflação, etc, o governo deve se valer de alguns instrumentos de controle para intervir na economia com o objetivo de eliminá-los ou minimizá-los. Os instrumentos e recursos mais utilizados hoje no Brasil para corrigir essas falhas são: A política MONETÁRIA e a política FISCAL

A POLÍTICA MONETÁRIA


A política monetária está relacionada com o lado monetário e com o lado real da economia e é realizada pelo Banco Central, através do controle da liquidez da economia, ou seja, regula a quantidade de dinheiro disponível na economia, que incluem além do saldo dos meios de pagamento, o patrimônio dos fundos de investimentos de curto prazo, os saldos dos títulos públicos e dos depósitos de poupança, cujo objetivo é o controle dos preços e criar condições para o crescimento econômico.

Dessa forma, a política monetária representa a atuação das autoridades monetárias por meio de instrumentos de efeito direto ou induzido, com o propósito de controlar a liquidez global do sistema econômico, mantendo-o estável, elevando ou reduzindo a quantidade de dinheiro no mercado. A política monetária pode atuar de forma restritiva ou expansiva.

A política monetária restritiva tem o objetivo de diminuir a quantidade de dinheiro disponível para as pessoas, inibindo, desta forma o consumo e consequentemente a alta da inflação, por exemplo.

São instrumentos de política monetária restritiva:


1) Recolhimento Compulsório:

Ação: O Banco Central retém depósitos recebidos do público pelos bancos comerciais. Esse instrumento é ativo, pois atua diretamente sobre o nível de reservas bancárias.

Conseqüência: Redução do efeito multiplicador da moeda e, consequentemente, a liquidez da economia, pois os bancos terão menos dinheiro para emprestar e a juros mais altos.

2) Restrições da Assistência Financeira de Liquidez (Restrições ao crédito):

Ação: Ocorre quando o Banco Central empresta dinheiro aos bancos comerciais em menores prazos e a juros mais altos.

Conseqüência: A taxa de juros da própria economia sobe. Com juros mais altos, menos pessoas pegarão dinheiro emprestado, ou seja, diminuição na liquidez, gerando desaquecimento da economia.

3) Venda de Títulos Públicos

Ação: Quando o Banco Central vende títulos públicos, ele retira dinheiro da economia, que é trocado pelos títulos.

Consequência: Há uma contração dos meios de pagamento e uma redução de recursos na economia, desestimulando o consumo.

Na verdade, a política monetária restritiva tem o objetivo de diminuir a quantidade de recursos que circulam na economia. Essas medidas podem ser necessárias para controle da inflação, por exemplo, pois, com menos dinheiro disponível as pessoas irão consumir menos e com isso os preços caem (lei da oferta e procura) e a conseqüência é a baixa da inflação.

Já a política monetária expansiva ocorre quando o governo pretende criar situações de crescimento econômico, é formada por medidas que tendem a aumentar a quantidade de dinheiro em circulação e a baratear os empréstimos (baixar as taxas de juros). Ela aumentará o consumo, causando inflação de demanda.

São instrumentos da política monetária expansiva:


1) Diminuição do Recolhimento Compulsório:

Ação: O Banco Central diminui os valores que toma em custódia dos bancos comerciais.

Conseqüência: Aumento do efeito multiplicador da moeda, e da liquidez da economia como um todo, pois os bancos terão mais dinheiro para emprestar e a juros mais baixos, desta forma incentivando o consumo.

2) Assistência Financeira de Liquidez (Mais acesso ao crédito):

Ação: O Banco Central, ao emprestar dinheiro aos bancos comerciais, aumenta o prazo do pagamento e diminui a taxa de juros.

Conseqüências: A taxa de juros da própria economia cai. Com juros mais baixos, mais pessoas pegarão dinheiro emprestado, ou seja, haverá mais recursos circulando na economia e, portanto, mais consumo e com isso a inflação tende a subir.

3) Compra de Títulos Públicos:

Ação: Quando o Banco Central compra títulos públicos, há uma expansão dos meios de pagamento, que é a moeda dada em troca dos títulos.

Conseqüência: Ocorre uma redução na taxa de juros e um aumento da liquidez, pois os recursos retornam às mãos dos investidores e a circular na economia novamente.

A política monetária expansionista tem por objetivo o aquecimento da economia, além de incentivar o crescimento econômico, porém devem ser executadas na medida certa, para que a inflação não voltar a subir, caso contrário, será necessário aplicar medidas restritivas novamente e assim sucessivamente.


Tecnologia do Blogger.